Gosto muito de lembrar da minha infância. Não só das coisas boas, ser criança é muito mais que isso. Como tudo na vida ainda é novo, tudo é muito importante. Depois que nós crescemos, muita coisa vira banal. Mas pra criança, não. Tudo é pra sempre, é grande, grave.
Quando brigava com meu irmão, eu pensava que nunca mais ia falar com ele. Imaginava que meus filhos não saberiam que tinham um tio. Era um ressentimento eterno, mesmo que acabasse quando ele me chamava pra ver alguma coisa que ele descobriu no quintal. Também lembro de quando tinha 9 anos e minha prima Joyce era recém nascida. Uma vez, ela caiu do sofá, chorou e eu não fiz nada, fiquei parada. Quando minha avó viu a cena, pegou minha prima no colo me olhando como se eu fosse a pior das criaturas. E foi assim que eu me senti durante horas.
Um dia, estava pensando como era bom comer pão com margarina e, quanto mais margarina colocava, mais gostoso. Pensei então que seria incrível comer margarina pura, enchi uma colher e coloquei na boca. Lembro do gosto até hoje. Às vezes eu ficava deitada na cama prendendo a respiração e tentando pensar em nada para ver como seria morrer. “Será que é assim? Não! Eu pensei, não pode pensar. Droga!” Eu achava muito legal ver meu pai fazendo a barba e fiz uma vez. Eu sentia agonia por não lembrar de quando eu era bebê. Eu não gostava de sentir a respiração da minha mãe no meu rosto enquanto ela me maquiava pra apresentação de balé. Então ela ria e fingia que pegava fôlego pra não respirar enquanto me pintava. Disso eu gostava.
Todas essas lembranças estão muito frescas pra mim, assim como eu lembro do meu aniversário esse ano. A maioria das pessoas se esqueceu de sua infância, e isso é triste.
Felizmente, nem todas. Jonathan Safran Foer, Maurice Sendak e Spike Jonze se lembram exatamente de como é ser criança.
O primeiro é o autor de um livro extremamente incrível.
Extremamente Alto & Incrivelmente Perto
Algumas pessoas têm mania de sublinhar uma frase ou um trecho interessante que se destaca do livro. Se você for assim, esquece disso ou vai rabiscar o livro inteiro.
Os outros dois são, respectivamente, o autor do livro e o diretor do filme Onde Vivem os Monstros. Acho que é a melhor forma de explicar sentimentos e pensamentos complexos demais para um adulto.
Trailer de “Onde Vivem os Montros”
Já leram? Já viram? Vale a pena, mesmo que você já tenha esquecido de tudo. Talvez ajude a parar de dizer “cadê meu beijo?” para as outras crianças. Isso era a pior coisa que a gente podia ouvir aos 5 anos, não lembra?
Priscila Midori Shiota da Silva Xavier Chicota (esse era meu nome quando criança) queria ser bailarina e sereia.

Imagino você criança! Devia ser uma japaneguinha linda! Sou como você e lembro de cada instante (e olha que meu curriculo é bem mais longo que o seu…rs). Lembro do 1o dia de aula no Jardim de Infancia e do cheiro que a escola tinha, da 1a vez que pude escrever à caneta no caderno e me senti adulta em abandonar o lápis (depois voltei pra ele porque o amava). Lembro de passar o dia inteiro montando a cidade de Playmobil e quando ficava pronto, a brincadeira ficava sem graça.
Tive uma amiga imaginária que tinha o singelo nome de “Orenemi”. Orenemi era minha companheira, brincava comigo e tinha lugar no carro só pra ela. Quando meu irmão nasceu, Orenemi se foi…
Não li o livro, não vi o filme, mas vou buscá-los agora! Mas a pior coisa de se ouvir aos 5 anos era: “Sai daqui que isso é conversa de adulto”…e eu sabia mais que eles…
lindo! qdo a gente é criança parece que tem vários mundos para se refugiar….como onde vivem os monstros…pelo menos comigo foi assim….bjkas
Você já tinha me falado do livro, agora me convenceu, lembrei dos bolinhos de chuva que eu pentelhava minha mãe pra fazer quando chovia..rs Filme é pouco poético, portanto vou ler o livro…rs Finalmente atualizei meu blog, passa lá. bjus
Os comentários de vocês enriquecem muito esse blog! Adoro!
‘Cadê meu beijo’ era sofrido mesmo!
Sem contar aqueles beijos melados que duravam horas espremendo a nossa bochecha. E nada de limpar na hora, tinha que dar uma volta e limpar quando já estivesse fora de alcance.
: )
Lindo texto, assino embaixo das indicações!
…
Já comprei o livro e comecei a devorar. Vi o filme, mas viajei muito além dele! E você ERA MESMO a Lillo! kkk .
Eu também tenho uma foto fofa pena que não dá pra postar…vou pôr no facebook e tu olha! Beijo
adorei as suas aspirações e a foto nem se fala!!!!!!!!!(não devia crescer nunca, rsrsssr) eu também queria ser bailarina e aeromoça……
Oi,
Conhecendo seu blog, parabéns! É um ótimo texto com recordações bacanas.
As indicações de livro e filmes são muito boas.
[...] A trilha é Igloo, da Karen O and The Kids, do filme “Onde Vivem os Monstros” que falei aqui. [...]