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Brinquedo novo

Um professor da faculdade dizia que a diferença entre os adultos e as crianças é o preço dos seus brinquedos. Pois Victor e eu juntamos nossos poderes para comprar uma Canon T2i que nossos queridos amigos Spitz e Cacá, da Soul Brasileiro, trouxeram de uma lojinha durante uma viagem.

Nós e a câmera ainda estamos nos conhecendo aos poucos, estes são apenas nossos primeiros testes.

Cuidado com o cão bravo (leia-se “ela pode te encher de lambidas”)

– Yoda, acho que tem alguma coisa no seu nariz.

– Ah, tá. Obrigado.

              Agora mais pra esquerda…

Preocupado com a taxa de juros e a alta do combustível.

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Na onda do bullying

Há pouco tempo, era assédio moral. Hoje, a onda é bullying. Não que isso seja moda, mas as notícias se repetem muito após surgir uma matéria sobre qualquer coisa absurda, tipo esquecer um bebê no carro (se fosse uma mala com U$ 1 milhão, ninguém esqueceria).

Pode até parecer uma tendência mesmo, mas acho que o que acontece de verdade é que depois que alguém denuncia algum abuso, outras pessoas tomam coragem de fazer o mesmo. Isso é muito positivo e tem que acontecer sempre, cada vez mais. Por isso eu vim aqui dividir com meus poucos, selecionados e queridíssimos leitores um assunto: assédio moral em agências de propaganda.

O publicitário que nunca foi explorado em agência que me envie o primeiro post desaforado. Na maioria dos lugares onde passei, vi exemplos e mais exemplos dessa vergonha que acontece com pessoas inteligentes, instruídas, com formação acadêmica mas que até hoje não conseguiram se unir e explanar de uma forma mais séria.

Outro dia encontrei com amigos do meu primeiro estágio e nos divertimos muito contando histórias da agência em que trabalhávamos. A maioria não tinha sequer salário ou ajuda de custo e quem recebia não via a cor do dinheiro; ficávamos sozinhos até de madrugada quase todos os dias para ver o diretor de criação entrando 11h30 no dia seguinte se espreguiçando no meio da sala e dizendo que fez uma ótima aula de pilates; aguentamos gritaria de que somos “uns merdas” (com essas exatas palavras) e vimos donos dando volta em oficiais de justiça enquanto passam as férias no exterior. Na roda dos amigos após 5 anos, isso é engraçado. Eu ri. Mas depois, vi quantas violações aconteciam ali naquela sala sem ar condicionado no Centro do Rio de Janeiro.

Depois disso, já trabalhei em uma sala de, sei lá, 7 m² com dois fumantes baforando o dia inteiro lá dentro que falavam comigo como se eu fosse uma criança de 3 anos: “bom dia, princesinha!” “olha, princesinha hoje tá séééria, owwwn…” Isso tudo ganhando R$ 200 de ajuda de custo que não cobriam minha passagem e alimentação, sendo que eu era a única que cursava faculdade.

Já trabalhei em lugares que a dona não deixava a gente almoçar, que o chefe alisava as garotas da empresa e que o diretor de criação ficava plantado querendo ver quem ia embora cedo (leia-se 19h) e dizia em tom tão ameaçador quanto debochado “já vai? Tudo bem, você é quem sabe…”

Muitos que trabalharam comigo nesses lugares são meus amigos até hoje. Primeiro, porque são todos muito legais; depois, porque passamos tanto aperto, tanta humilhação, que a única coisa que nos sustentava éramos nós mesmos. Um se apoiava no outro e acho que de certa forma isso nos uniu.

Claro que trabalhei em outros lugares muito legais, com gente do bem. Hoje, eu trabalho com carteira assinada, vale transporte, alimentação, plano de saúde, horário regular e dignidade. Não posso dizer que esses anos trabalhando na carvoaria fez de mim uma profissional melhor, isso não é verdade. Isso é errado. Muito profissional deve passar por isso hoje e, assim como eu, não faz nada por medo de ficar “queimado no mercado”, mas saibam que não vale a pena. E isso nunca vai acabar enquanto estagiário continuar aceitando vaga sem receber nada e pessoas virarem noites porque o chefe não tem vida pessoal. Pode parecer fácil falar tudo isso agora que passou, mas muita gente que viveu tudo aquilo continua sendo explorado em agências de propaganda que ganham milhares de reais em cada tijolinho de classificados.

Essa discussão é muito longa e envolve muitas outras coisas que tornariam este post em um seminário. Não vou promover um grande movimento, não tenho a pretensão de que esse post cause qualquer comoção. Só queria, pelo menos uma vez, tirar esse assunto das rodas de piada. Claro que falar mal do chefe é praticamente uma terapia, mas que seja apenas sobre alguma roupa engraçada que ele resolveu usar ou que ele acordou de mau humor certo dia.  Chicotada e coice não têm a menor graça.

Infelizmente não sei de quem é para dar o crédito.

Ilustração de Arnaldo Branco. Obrigada, Alarcão!

#ficadica

Como estou sendo muito menos assídua do que imaginei e prometi, vou dividir com vocês alguns sites que eu gosto muito de acompanhar.

Eu fico o dia todo em frente ao computador no trabalho e sempre sobra um tempinho pra dar uma navegada por aí, principalmente naquele intervalo ocioso entre o almoço e a hora de ir embora.

Então, aí vão alguns que estou sempre vendo. No final das contas, somos um pouco de tudo aquilo que gostamos, né?

Stuff No One Told Me – sabe alguns conselhos que a gente já cansou de ouvir ou observações sobre o nosso dia a dia que não paramos pra reparar? Pois esse tal de Alex põe tudo isso em uns desenhos muito fofos que fazem qualquer conselho batido merecer a sua parede ou uma caneca.

Este é um dos meus preferidos.


My Milk Toof – dois dentinhos de leite chamados ickle e Lardee têm personalidades bem distintas e se aventuram pela casa da artista coreana Inhae Renne Lee. Quando você estiver de mau humor, entra lá pra ver que quanto mais simples, melhor. E me refiro a tudo: desenho, foto, história e problemas.

Brincando em dias de chuva em “Kites”.


A Dona da Bolsinha – Júlia Lima é ilustradora, mas ela fala de tudo: música, moda, fotografia e suas paixões particulares como gatos e cabelos ruivos. Ainda mais legal que o que ela compartilha é o jeito que escreve. Faz a gente ter a sensação de já conhecê-la.

Desenho que ela criou para  Alice Disse e tive a sorte de ganhar um chinelinho do meu amigo Rafael Vanni!


De(coeur)ação – eu não troco meus móveis de lugar, nem tenho costume de comprar ou criar coisas novas pra minha casa, mas adoro espiar esse site que começou despretensiosamente como um blog para Vivianne Pontes se organizar na decoração do seu apartamento.

 Lá dá pra baixar e fazer um poster, também em outras versões.


Hellatoons – Eduardo Medeiros é um ilustrador que conheci por causa da “Sopa de Salsicha”, história em quadrinhos que relata sua vida com sua esposa, a Baixinha. Depois disso, virei fã e leitora fiel do blog e dos trabalhos. Incrível como a Internet torna pessoas que a gente admira mais acessível!

Ele com a Baixinha, Pretinha e Branquinha.


Victor Marcello – ilustrador, animador, motion designer e meu namorado, ele põe seus trabalhos (remunerados ou por diversão) no ar com suas diferentes técnicas e processos criativos. Pena que publica com a mesma frequência que eu. E olha que já nem estamos mais tão ocupados assistindo a todos os episódios de Lost!

Muito orgulho!


Eu sou Ella – minha amiga Simone é nutricionista, mas de vez em quando ela para de maltratar os gordinhos para viajar na cabeça de Ella: a perua que existe em cada uma de nós. Nos mais variados assuntos, ela solta o veneno daquela jararaca reprimida que só libertamos na roda das amigas.

Ela finge que é assim, mas por dentro tá mais pra Narcisa Tamborindeguy.


Esses são os que me recordo agora. Se lembrar de mais algum, eu atualizo. Até porque vivo modificando meus textos de tempos em tempos mesmo.

Lembrei de outro! My Parents Were Awesome – gente engraçada, descolada, divertida. São os nossos pais! Nesse tumblr, pessoas enviam fotos de seus pais quando eram mais jovens e a gente acaba descobrindo que eles são exatamente como a gente. Não vejo a hora de olhar minhas fotos de hoje e me divertir pensando “papaaaai do céu, olha esse cabeeelo”!

Difícil escolher só uma foto. Este é o Larry e foi enviado pela Laura.


Então agora você já sabe que, enquanto eu não publico nada por aqui, é porque estou em algum desses sites ou vendo o último sucesso inútil no Youtube. Ah é, ou trabalhando. Claro!

Previously on real life

Piadinha para quem viu Lost e trabalha com Publicidade. O público tá meio restrito, né, vou tentar melhorar.

Na agência mais próxima de você.

Vocês vão notar pela tosqueira dos balõezinhos que eu não tive nenhuma ajuda dessa vez no Photoshopping. Vou tentar melhorar também.

Para quem quiser brincar de quadrinhos com os personagens da série mais maneira com final desnecessário, clique aqui.

P.S.: Como é que eu faço essa setinha do balão? Só sei fazer isso no Paint! :P

Eu cresci com muitos bichos de estimação. Já tive cachorro, papagaio, peixe, coelho, tartaruga, hamster… E só (calma, Ibama). Mas na verdade nunca eram meus, mas do meu irmão, do meu pai ou “da casa”. Só muito depois fui ter um cachorro. Muito depois mesmo, porque foi só agora.

Pequeno Jedi com poucos meses e 300 gramas.

Mas pra compensar, é o mais lindo desta e de outra galáxia muito distante. O Yoda é quem me deixa preocupada com a hora de voltar pra casa porque sei que à noite ele fica deitado olhando pra porta esperando eu chegar. É quem faz um olhar de decepção quando passo perfume, porque ele sabe que vou sair. É um bolinho de pelo de 2,5kg que vive grudado nas pessoas da família e tão gente que eu não tenho a menor vergonha de conversar com ele enquanto passeamos na rua. É um medroso que não gosta de cachorros nem de tomar banho, mas adora usar roupa e beber água de coco e só faz malcriação quando está chateado.

De gola polo

Sabe até o caminho da barraca do Roberto

Eu sei que qualquer pessoa teria outras mil histórias pra contar sobre as particularidades que fazem do seu cachorro tão especial. Sei que todo bichinho é incrível e faz coisas que só os donos acreditam. Mas essa é a minha vez.

Eu, Yoda e nossa Supersampler

Depois que ele chegou na minha casa, ficou mais agradável “fazer nada”. Ele me ensinou a arrumar a cama só pra deixar ele subir enquanto estou fora e me faz ter mais cuidado por onde ando e com as coisas que caem no chão. Ele me mostrou que a gente se entende muito melhor no silêncio e que as palavras só atrapalham nossa comunicação.

Mesmo assim, quando ele fica muito tempo fora de casa como agora (está na casa dos meus pais), eu sinto tanta saudade que chego a desejar que ele pudesse me ligar de vez em quando.

Educação musical

Nós aprendemos muita coisa com os nossos pais, óbvio. Comer legumes, dizer “por favor”, não falar palavrão (em casa), cruzar as pernas como uma mocinha e que não importa quem está errado, os dois estão de castigo são algumas delas. Mas uma coisa muito marcante foi a educação musical que meu pai passou pra mim.

Entre Balão Mágico, Trem da Alegria e todos os discos da Xuxa, ouvi muito Toquinho, Vinícius e Alan Parson. O meu “ilariê” intercalava com Marina, de Caymmi, e eu sabia o Soneto da Fidelidade de trás para frente. Na época, eu nem dava importância para nada disso e simplesmente achava divertido cantar “samba de pretu tu” muito antes dos Black Eyed Peas.

Eu cresci entre Ladário e Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e todo fim de ano viajávamos de carro até o Rio de Janeiro. Com 2000km de distância, haja música na belina azul! O que eu mais ouvia era esse álbum:

Greatest Hits de quando eu tinha 6 anos

Entre os internacionais, muito The Beatles, Joe Cocker, Phil Collins, Australian Crawl e por aí vai.

Muitas vezes eu me pego em qualquer lugar dizendo “eu conheço essa música” mesmo sem saber de quem é, só sei que “meu pai ouvia”. Com certeza isso me influencia até hoje, inclusive na minha repulsa por músicas constituídas apenas por vogais (vocês sabem quais são) e na seleção de músicas que ouço em casa (porque fora de casa a gente se permite perder um pouco o critério, né).

E como nunca é tarde para agradecer, este meu post é um longo “obrigada” pelo set list que ouvíamos pela estrada e nas manhãs de domingo, quando meu pai ligava o som, abria as janelas e a porta da sala na casa onde morávamos para dar banho na Honda, nossa pastora alemã. Sem esquecer, claro, dos churrascos nos fins de semana que podiam até variar de lugar entre o clube, nossa casa, casa do tio Carlão, do tio Paulo e tia Jussara, mas que sempre acabavam em roda de violão, palmas e caixinha de fósforo. No meio do pique-esconde ou da prova de quem mergulhava por mais tempo, eu fugia pra ficar ao lado do meu pai enquanto ele batia o garfo na garrafa de cerveja cantando mais ou menos assim:

Bendito fruto

Eu escolhi minha profissão pelo simples fato de gostar muito de escrever e porque eu adorava ver as propagandas na televisão. Achei então que seria muito divertido juntar as duas coisas e que talvez dessa forma meu trabalho nunca seria chato, já que meu compromisso seria com a criatividade e o entretenimento. Tá, daí eu acordei e vi que não era nada disso por vários motivos que não cabem neste post.

O que eu quero contar aqui é sobre a surpresa que  tive no meu primeiro contato com a área de criação publicitária: só tem homem. Fui desestimulada desde o primeiro período da faculdade, quando já dizia que queria ser redatora. Vocês não podem ver daí, mas até o WordPress corrige a palavra “redatora” e sugere coisas como redator ou relatora.

No começo não foi nada fácil, porque andar na roda dos meninos é muito diferente. Com o tempo fui aprendendo algumas coisas que gostaria de dividir com vocês:

1°- Nenhum garoto evolui o suficiente pra virar homem. Eles nasceram moleques e assim serão até o fim dos tempos;

2° – Nenhuma história é do jeito que é contada. Se um contar que gritou com alguém, não gritou tão alto assim; Se falou que brigou com a namorada, é capaz de ter levado um pé na bunda;

3° – Qualquer manifestação de pornografia é válida: gostosas, bizarras, aliens ou animais não-racionais estão valendo. Mesmo;

4° – Homens só trabalham com homens. Se você for minoria, azar o teu. Vai virar homem também e eles vão ignorar totalmente a sua presença ao usarem seu vasto vocabulário de palavrões e coisas que remetem ao item 3 dessa lista;

5° – Homem adora, repito, A-DO-RA falar de cocô. Já no almoço, eles imaginam como será o grande momento e o assunto só acaba quando o último sair do banheiro anunciando a experiência.

Mas confesso que, depois dessa árdua etapa de adaptação, já estou tão acostumada que eu não só me divirto como não trocaria esse jardim de infância dos infernos pelo salão de beleza do atendimento. Com o tempo, aprendi a devolver o fora na mesma altura (ou pior), falar grosso, opinar sobre a bunda das mulheres no Ego e bater um pratão de PF num pé sujão sem vergonha. E acredito, de verdade, que esses anos no Clube do Bolinha fizeram de mim uma garota melhor: não gosto de shopping, não tenho paciência de experimentar roupa em loja, faço compras em 5 minutos, acho o fim mulher que liga pro namorado a cada 10 minutos e só a expressão “discutir a relação” dá sono. Dizem que só falta eu jogar bola, mas tudo tem limite. E é bem no meu horário de fazer a unha. =P

Essa é a equipe de criação do meu primeiro estágio:

E essa é a trilha sonora deste post: