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Posts Tagged ‘Publicidade’

Na onda do bullying

Há pouco tempo, era assédio moral. Hoje, a onda é bullying. Não que isso seja moda, mas as notícias se repetem muito após surgir uma matéria sobre qualquer coisa absurda, tipo esquecer um bebê no carro (se fosse uma mala com U$ 1 milhão, ninguém esqueceria).

Pode até parecer uma tendência mesmo, mas acho que o que acontece de verdade é que depois que alguém denuncia algum abuso, outras pessoas tomam coragem de fazer o mesmo. Isso é muito positivo e tem que acontecer sempre, cada vez mais. Por isso eu vim aqui dividir com meus poucos, selecionados e queridíssimos leitores um assunto: assédio moral em agências de propaganda.

O publicitário que nunca foi explorado em agência que me envie o primeiro post desaforado. Na maioria dos lugares onde passei, vi exemplos e mais exemplos dessa vergonha que acontece com pessoas inteligentes, instruídas, com formação acadêmica mas que até hoje não conseguiram se unir e explanar de uma forma mais séria.

Outro dia encontrei com amigos do meu primeiro estágio e nos divertimos muito contando histórias da agência em que trabalhávamos. A maioria não tinha sequer salário ou ajuda de custo e quem recebia não via a cor do dinheiro; ficávamos sozinhos até de madrugada quase todos os dias para ver o diretor de criação entrando 11h30 no dia seguinte se espreguiçando no meio da sala e dizendo que fez uma ótima aula de pilates; aguentamos gritaria de que somos “uns merdas” (com essas exatas palavras) e vimos donos dando volta em oficiais de justiça enquanto passam as férias no exterior. Na roda dos amigos após 5 anos, isso é engraçado. Eu ri. Mas depois, vi quantas violações aconteciam ali naquela sala sem ar condicionado no Centro do Rio de Janeiro.

Depois disso, já trabalhei em uma sala de, sei lá, 7 m² com dois fumantes baforando o dia inteiro lá dentro que falavam comigo como se eu fosse uma criança de 3 anos: “bom dia, princesinha!” “olha, princesinha hoje tá séééria, owwwn…” Isso tudo ganhando R$ 200 de ajuda de custo que não cobriam minha passagem e alimentação, sendo que eu era a única que cursava faculdade.

Já trabalhei em lugares que a dona não deixava a gente almoçar, que o chefe alisava as garotas da empresa e que o diretor de criação ficava plantado querendo ver quem ia embora cedo (leia-se 19h) e dizia em tom tão ameaçador quanto debochado “já vai? Tudo bem, você é quem sabe…”

Muitos que trabalharam comigo nesses lugares são meus amigos até hoje. Primeiro, porque são todos muito legais; depois, porque passamos tanto aperto, tanta humilhação, que a única coisa que nos sustentava éramos nós mesmos. Um se apoiava no outro e acho que de certa forma isso nos uniu.

Claro que trabalhei em outros lugares muito legais, com gente do bem. Hoje, eu trabalho com carteira assinada, vale transporte, alimentação, plano de saúde, horário regular e dignidade. Não posso dizer que esses anos trabalhando na carvoaria fez de mim uma profissional melhor, isso não é verdade. Isso é errado. Muito profissional deve passar por isso hoje e, assim como eu, não faz nada por medo de ficar “queimado no mercado”, mas saibam que não vale a pena. E isso nunca vai acabar enquanto estagiário continuar aceitando vaga sem receber nada e pessoas virarem noites porque o chefe não tem vida pessoal. Pode parecer fácil falar tudo isso agora que passou, mas muita gente que viveu tudo aquilo continua sendo explorado em agências de propaganda que ganham milhares de reais em cada tijolinho de classificados.

Essa discussão é muito longa e envolve muitas outras coisas que tornariam este post em um seminário. Não vou promover um grande movimento, não tenho a pretensão de que esse post cause qualquer comoção. Só queria, pelo menos uma vez, tirar esse assunto das rodas de piada. Claro que falar mal do chefe é praticamente uma terapia, mas que seja apenas sobre alguma roupa engraçada que ele resolveu usar ou que ele acordou de mau humor certo dia.  Chicotada e coice não têm a menor graça.

Infelizmente não sei de quem é para dar o crédito.

Ilustração de Arnaldo Branco. Obrigada, Alarcão!

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Previously on real life

Piadinha para quem viu Lost e trabalha com Publicidade. O público tá meio restrito, né, vou tentar melhorar.

Na agência mais próxima de você.

Vocês vão notar pela tosqueira dos balõezinhos que eu não tive nenhuma ajuda dessa vez no Photoshopping. Vou tentar melhorar também.

Para quem quiser brincar de quadrinhos com os personagens da série mais maneira com final desnecessário, clique aqui.

P.S.: Como é que eu faço essa setinha do balão? Só sei fazer isso no Paint! :P

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Bendito fruto

Eu escolhi minha profissão pelo simples fato de gostar muito de escrever e porque eu adorava ver as propagandas na televisão. Achei então que seria muito divertido juntar as duas coisas e que talvez dessa forma meu trabalho nunca seria chato, já que meu compromisso seria com a criatividade e o entretenimento. Tá, daí eu acordei e vi que não era nada disso por vários motivos que não cabem neste post.

O que eu quero contar aqui é sobre a surpresa que  tive no meu primeiro contato com a área de criação publicitária: só tem homem. Fui desestimulada desde o primeiro período da faculdade, quando já dizia que queria ser redatora. Vocês não podem ver daí, mas até o WordPress corrige a palavra “redatora” e sugere coisas como redator ou relatora.

No começo não foi nada fácil, porque andar na roda dos meninos é muito diferente. Com o tempo fui aprendendo algumas coisas que gostaria de dividir com vocês:

1°- Nenhum garoto evolui o suficiente pra virar homem. Eles nasceram moleques e assim serão até o fim dos tempos;

2° – Nenhuma história é do jeito que é contada. Se um contar que gritou com alguém, não gritou tão alto assim; Se falou que brigou com a namorada, é capaz de ter levado um pé na bunda;

3° – Qualquer manifestação de pornografia é válida: gostosas, bizarras, aliens ou animais não-racionais estão valendo. Mesmo;

4° – Homens só trabalham com homens. Se você for minoria, azar o teu. Vai virar homem também e eles vão ignorar totalmente a sua presença ao usarem seu vasto vocabulário de palavrões e coisas que remetem ao item 3 dessa lista;

5° – Homem adora, repito, A-DO-RA falar de cocô. Já no almoço, eles imaginam como será o grande momento e o assunto só acaba quando o último sair do banheiro anunciando a experiência.

Mas confesso que, depois dessa árdua etapa de adaptação, já estou tão acostumada que eu não só me divirto como não trocaria esse jardim de infância dos infernos pelo salão de beleza do atendimento. Com o tempo, aprendi a devolver o fora na mesma altura (ou pior), falar grosso, opinar sobre a bunda das mulheres no Ego e bater um pratão de PF num pé sujão sem vergonha. E acredito, de verdade, que esses anos no Clube do Bolinha fizeram de mim uma garota melhor: não gosto de shopping, não tenho paciência de experimentar roupa em loja, faço compras em 5 minutos, acho o fim mulher que liga pro namorado a cada 10 minutos e só a expressão “discutir a relação” dá sono. Dizem que só falta eu jogar bola, mas tudo tem limite. E é bem no meu horário de fazer a unha. =P

Essa é a equipe de criação do meu primeiro estágio:

E essa é a trilha sonora deste post:

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Enquanto os desenhos da outra tirinha ficam prontos e lindos, eu queria contar essa outra história pra vocês e resolvi eu mesma criar os quadrinhos. É uma história real que se passou em uma agência de propaganda e o nome do personagem não foi trocado porque não adiantaria mesmo!

Clique na imagem e depois na lupinha para ampliar.

Ficha técnica:

Criação, roteiro e gafe: Priscila Midori

Fotografia e montagem no Photoshop: Priscila Midori

Socorro no Photoshop: Victor Marcello

Simon Belmont forçadamente emprestado por: Julio Marcello

Playmobil gentilmente cedido por: Victor Marcello

Cenário: Cabuletê Filmes Agência Guanabara

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O dia em que esnobei o Wilker

Estou atualmente trabalhando na Espaço/Z, uma agência que atende a indústria cinematográfica em lançamentos de filmes, festivais de cinema, etc. Depois de tantos anos penando pra vender carro, apartamento e remédio, eu merecia essa!

Um dos nossos clientes é a Academia Brasileira de Cinema, que organiza a cada ano o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, a maior premiação do cinema nacional. Entre todas as categorias está o Voto Popular e, para incentivar o público a participar, fizemos um comercial bem legal. Escrevi o roteiro que criei junto com Daniel Bradock, Rafael Vanni e Murilo Silvio.

O objetivo é mostrar que a Academia quer ouvir as pessoas comuns, não só os profissionais do mercado. Pra isso, precisávamos de alguém de renome no cinema e de um cara de pau o suficiente para dar uma esnobada no primeiro. Dentro destas definições, escolhemos José Wilker e Bruno de Luca (respectivamente, claro).

 

A gravação aconteceu dia 12 de maio às 7h no calçadão de Ipanema. Para quem fez muito VT em cartela, ver todo aquele circo armado na rua foi um belo susto.

A produção foi da LC Barreto.

O resultado ficou bem legal e o retorno também tem sido super positivo. As votações já aumentaram mais de 10 vezes, mesmo antes do comercial ir ao ar no Canal Brasil e nas salas de cinema. No dia da gravação, já tivemos matéria no site Ego e depois no Ad News, Meio&Mensagem, site da Contigo, UOL, impresso no jornal Extra e ainda rendeu uma matéria no Vídeo Show.

Curiosidade: o senhorzinho que aparece no início e cumprimenta o José Wilker não era figurante, mas um fã que simplesmente entrou na gravação! Mas foi tudo tão perfeito – a roupa, o tempo em que ele entra e sai – que acabou sendo a melhor tomada de todas.

Equipe feliz e satisfeita, só restou um remorso: escrever um roteiro com o Wilker sem dar uma única fala pra ele!

Quem sabe na próxima…

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Freud, explica?

Eu ainda nem tive filho (tirando Yoda lindo di mamáin), mas já imagino como deve ser. A mulher carrega a criatura na barriga, dá a luz, alimenta, educa, perde noite, paciência e alguns fios de cabelo, tudo isso já esperando que um dia esse filho vá seguir a vida com as próprias pernas. O que é lindo, não é mesmo? A mãe não faz isso tudo pra receber algo em troca, mas ela espera que ele vá visitá-la num feriado ou outro, ligue pra saber como ela está e até uma lembrancinha no Dia das Mães, pra dar um exemplo um pouco mais egoísta.

E é inevitável que nós, redatores e diretores de arte, tenhamos esse sentimento por algum trabalho. Não é certo, eu sei. Mas alguém lá atrás deu o nome disso aqui de Criação e uma vez ou outra a gente se apega demais ao que isso significa. A gente pesquisa pra escolher um nome, fecha um conceito, faz planos para o futuro, defende com unhas e dentes pra tudo ser como foi idealizado desde o início. Nem tudo sai como deveria, o que é normal. O filho bota um brinco, faz uma tatuagem, fica de prova final ou namora com alguém que não vale muita coisa… Ok, a gente aceita e continua amando mesmo assim.

Chega uma hora em que o filho sai de casa e na verdade esse deve ser um momento feliz. Você cumpriu o seu papel até ali, fez tudo o que pode e agora é com ele. Ninguém gosta de despedida, mas a falta dela é ainda pior. Nem um abraço, um “pô, mãe, valeu”, um “eu venho nas férias” – mesmo que nem venha. As mães gostam de acreditar nessas coisas. Mas não. Um dia a mãe acorda, prepara o café da manhã e vê o quarto do filho vazio.

E é só isso. Essa história não tem um fim não. Pensei em algum desfecho, dela ficando velhinha e louca ao lado do telefone com teia de aranha, mas não é para tanto!  Ou de repente ela esquecendo completamente da criança e vivendo feliz com um Golden Retriever no lugar dele, mas seria mentira. Mãe não esquece. E aquela vez em que ela precisou sair do trabalho no meio do expediente porque o filho brigou no colégio? Quantas noites e fins de semana essa mãe não perdeu pra cuidar desse pestinha hiperativo e destrambelhado? “Ô, menino! Desce daí!” Ele desceu. E se foi.

Mudando de assunto, eu queria falar da Nox, uma revista mensal com toda a programação do Grupo Matriz. Para quem não sabe, esse grupo tem bares e casas noturnas bem bacanas pelo Rio.

Foto: Julio Marcello

Participei da criação dessa revista desde o início, quando ainda trabalhava na Agência Guanabara e depois continuei no projeto como freela junto com a querida designer Marina Lutfi, da Cacumbu.

Para não dizer 2 anos, foram 21 meses de trabalho que, apesar de não ter juntado dinheiro o suficiente para comprar um carro ou um bolo Ana Maria, eu fazia com muito carinho. Como se fosse um filho, sabe?

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Meu passado me condena

Esse texto foi criado enquanto eu estava numa agência de varejo de automóveis. Aprendi muito lá, principalmente desapego, paciência e técnicas Jedi para cumprir prazos que já chegavam estourados. Mesmo assim é um trabalho digno, juro! Mas a história abaixo é dedicada aos publicitários que torciam o nariz toda vez que eu respondia onde eu trabalhava na época.

Baseado em fatos reais
Era uma vez um anúncio de varejo. Ele vivia em uma cidade com outros anúncios institucionais e premiados. Todos se gabavam de seus layouts ousados, seus títulos engraçados ou de seus slogans memoráveis. Mas ele, tadinho, era só um anúncio de varejo cheio de “gerentes pirados” e “preços imbatíveis”. Os outros anúncios viviam caçoando dele: “Pra quê tanto texto legal? Afinal, o que é que ele tem de legal?” E todos riam debochando de seus splashes e cores berrantes.

Na escola, o anúncio de varejo era o último a ser escolhido no time de futebol, o único que ainda levava lancheira pro intervalo e sempre sobrava nos trabalhos em grupo. Todos os anúncios andavam juntos, em campanhas: os all types com títulos maravilhosos, os anúncios com tratamentos de imagem incríveis, os que faziam rir e os que faziam chorar. Todos tinham uma sacada genial e eram ótimos em português, artes e educação física. Todos, menos o anúncio de varejo.

Ele tinha tudo para ser problemático, virar um depressivo, alcoólatra ou psicopata, mas não. O anúncio de varejo seguiu berrando para alguém vir correndo aproveitar a queima de estoque. “É só até este fim de semana!!!”, gritava ele há umas três semanas. Porque era isso o que ele era: escandaloso, repetitivo e com a marca quase no tamanho do produto. O anúncio de varejo nunca usou All Star colorido, nunca conheceu Cannes e nem teve ninguém brigando para assumir sua paternidade.

Com o tempo, ele aceitou que seu lugar era nos classificados do jornal e não na contra capa da revista, e foi só aí que ele entendeu por que foi criado. O anúncio de varejo cresceu, foi pra faculdade, se formou e nunca deixou de ser o que era. E sabem de uma coisa? Ele é sempre chamado para todos os encontros da turma do colégio, mesmo que seja apenas para pagar a conta.

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